
Comemoram-se hoje 152 anos sobre o nascimento do autor de «O Coração das Trevas»,(biografia do autor aqui), recentemente publicado pela Dom Quixote na colecção Biblioteca António Lobo Antunes. Ver outras obras publicadas em Portugal aqui.
Livros, autores, leituras e edição de livros em geral.

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«Não é isto uma ária de ópera para lhe meter agora um interminável adio, adio. Adeus, portanto. Até outro dia? Sinceramente, não creio. Comecei outro livro e quero dedicar-lhe todo o meu tempo. Já se verá porquê, se tudo correr bem. Entretanto, terão aí o “Caim”.» O Nobel deixa, contudo, a porta aberta para colaborações pontuais: «Pensando melhor, não há que ser tão radical. Se alguma vez sentir necessidade de comentar ou opinar sobre algo, virei bater à porta do Caderno, que é o lugar onde mais a gosto poderei expressar-me.» Ler texto na íntegra aqui.

Roubado daqui.

O Sporting CP prestigiou-se e prestigiou o futebol nacional. Discussões proto-metafísicas à parte de não usarmos o futebol como bandeira do que seja, o Senhor Palomar gostou de ver o Sporting bater-se. Como um leão, vá, reserve-se o cliché.
Brontë, Darwin, Proust, Warhol, entre outros. Todos hipocondríacos. Agora há um livro que conta essa parte da história. Chama-se Tormented Hope : Nine Hypochondriac Lives, e foi escrito por Brian Dillon. A edição é da Penguin.

«No Bosque do Espelho toma como ponto de partida a obra-prima de Lewis Carroll, adoptando como divisa o mot de Heraclito: «Nunca mergulhas no mesmo livro duas vezes». Trata-se de uma colectânea de ensaios de muito diversa proveniência: artigos encomendados, textos para cursos de jornalismo das artes, conferências, recensões críticas, antologias gay, introduções e posfácios. Manguel estabece um fio condutor entre textos de Borges, Cortázar, Chesterton, Melville, Cynthia Ozick, Santo Agostinho e outros. Do ponto de vista da erudição e do ofício, tem a perfeição do amanuense culto. Mas raramente nos surpreende com um golpe de asa.» Ler na íntegra aqui.
O Senhor Palomar pede desculpas a MST por reproduzir a sua imagem num blog. Sem ironias.
Ver no The Guardian. Ao alto, Amis com 7 anos.

«Embora não seja discernível uma estrutura musical evidente, há linhas melódicas que se propagam através do livro, com uma certa cadência, uma certa entoação, repetindo-se aqui e ali como um retornelo (não por acaso, o título original é Ritournelle de la Faim). Também não por acaso, o único momento histórico em que Ethel e a verdadeira mãe do autor coincidem é a estreia do Bolero de Ravel. Essa peça que parece «uma profecia» e leva os instrumentos até aos seus limites, «até à estrangulação, até quebrarem as cordas e as vozes, até quebrarem o egoísta silêncio do mundo». O mesmo efeito que Le Clézio, com menos violência e menos estrépito, acaba por conseguir neste romance belíssimo, melancólico mas nunca resignado.»
«André Kertész (1894 - 1985) foi um fotógrafo dos mais originais, inventivos e influentes do séc. XX. De origem húngara, mudou-se primeiro para Paris (em 1925) e depois para Nova Iorque (em 1936), onde não conseguiu assegurar imediatamente um posição de sucesso enquanto fotógrafo e só em meados da década de setenta é que o seu trabalho nesta área foi amplamente reconhecido, sendo-lhe reconhecido um lugar na história da fotografia.» Continuar a ler aqui, aqui e aqui.


«Esta é uma bela história verídica, contada vinte anos mais tarde, com extraordinária delicadeza e num tom elegíaco sempre justo, por Erik Orsenna – a quem couberam, naqueles dois verões de empenhamento colectivo em prol da literatura, as passagens «mais atrevidas» da obra-prima nabokoviana. A história real, essa, teve um desfecho menos feliz do que a sua versão romanesca. Insatisfeita com o resultado do trabalho de Chahine e seus cúmplices, a Fayard entregou o material a Jean-Bernard Blandenier, a quem coube concluir a atribulada viagem de Ada até à língua francesa.»
Mia Couto inventa palavras e por isso passam-lhe atestado de génio e chamam-no de escritor. Já Jorge Jesus inventa muito mais palavras, une muito mais conceitos e realidades díspares, mas continua a ser visto como apenas um treinador. Só porque confunde "cerne" com "cherne". Não é justo.
«admito, eu também andava a salivar com a perspectiva de ler um livro do Pynchon, e não é por achá-lo encantadoramente idiossincrático, aquilo de não aparecer, de não dar a cara, isso também o fazem as senhoras que se prostituem e que vão falar do assunto à júlia pinheiro, passe a redundância, na verdade convenci-me de que seria mais um americano que valeria a pena conhecer, já que ainda os desbastei pouco, aos americanos, o que é uma vergonha, na verdade já apareci uma vez na capa do Avante e portanto há que gostar dos ianques com parcimónia, imperialistas e o raio, bons são os chineses, comezinhos e progressistas, mas adiante, queria só dizer que não gostei d'O Leilão do Lote 49, talvez porque não é para o meu arcaboiço intelectual que tem a espessura de uma cintura do darfur, talvez porque a saraivada de personagens que vêm à liça fazer pilhéria da protagonista me tenha feito suspirar pelos mestres russos, talvez porque os poucos momentos de irrisão me façam ter saudades do anarco-tom sharpismo, mais escorreito, menos hermético, mais à minha moda, talvez porque nunca ando com analgésicos na mochila que ajudem a dissipar o nó nos miolos, e pior, ontem debulhava as últimas páginas do canhenho enquanto no metro, à minha volta, deambulavam um aleijado com o braço ao peito e olhos rancorosos, uma preta sem uma perna apoiada numa muleta de pau, umas dúzias de zombies de agosto muito mal-encarados, e eu a julgar-me também entalado na asfixiante conspiração Trystero ou lá do que é que o romance fala, e não me venham com semióticas e alegorias e o caralho, eu já só suava e acabei por ver a luz no topo das escadas rolantes do Rato, local onde encontrei um indivíduo que considero intelectualmente, sendo que o mesmo me confidenciou nunca ter acabado um Pynchon, ah leão, que alívio, aqui temos o nosso pequeno segredo de polichinelo.
«Há três anos, um inquérito a escritores, críticos e editores, patrocinado pelo New York Times, com enfoque em obras de Philip Roth, Cormac McCarthy, John Updike, Don DeLillo, Thomas Pynchon, etc., deu o primeiro lugar a Beloved (1987), de Toni Morrison, considerando-o o melhor romance dos últimos 25 anos. A decisão, muito controversa, não impediu Beloved de continuar a ser citado nos primeiros lugares de todas as listas que se fizeram dos dois lados do Atlântico. Morrison, nascida em 1931, professora na Universidade de Princeton, recebeu todos os prémios que há para receber, incluindo (em 1993) o Nobel da Literatura. Foi a primeira escritora negra a conseguir a proeza. Quando comparada com Virginia Woolf, ficou famosa a resposta que deu: «Prefiro identificar-me como uma escritora mulher e negra mesmo.» Na ocasião aproveitou para lembrar que à outra (a Virginia) ninguém suscitaria questões de género.» Ler na íntegra aqui.



É a notícia que enche as secções culturais internacionais: William Golding, então com 18 anos, terá tentado violar uma jovem de 15. A revelação parte do próprio em «Men, Women & Now» (texto autobiografico inédito). Ler no The Guardian, no Books Blog (The Guardian), no The Independent, no ABC.



Vale a pena ler o perfil do escritor checo Bohumil Hrabal, que em 1997 escorregou de um 4.º andar, enquando dava de comer aos pombos. No The Guardian.