AVISO

Dia 1 de Setembro, o Senhor Palomar muda-se de livros e bagagens para http://senhorpalomar.com/

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

O império contra-ataca

Maria João Pires aventou a hipótese de vir a adoptar unicamente a nacionalidade brasileira. Miguel Sousa Tavares seguiu-lhe os passos e apresentou semelhante proposta. Saramago garantiu que, por ele, o escritor até podia ir para Marte. Na LER deste mês, Miguel Sousa Tavares responde-lhe: «Não me preocupa nada que o Saramago fique lá a viver em Lanzarote porque não faz falta como contribuinte. Agora, eu faço falta ao País como contribuinte. Não tenho uma fundação que é um excelente meio de não pagar impostos e ainda ser ajudado.»

Fica por esclarecer se, de facto, Saramago não paga os seus impostos em Portugal.

Guardian first book award - Shortlist anunciada

Conferir aqui.

Dickens enquanto personagem de ficção

Ler aqui.

Serguéi Mijalkov, criador dos hinos russo e soviético, faleceu ontem, em Moscovo

Ler no El País.

Deus vai ser personagem do novo livro de José Saramago. Agora só falta saber se José Mourinho vai gostar de ser retratado.

Imagem retirada daqui.

Caim, por Francisco José Viegas. Se o romance de Saramago for tão belo quanto este trecho, teremos livro. Belíssimo.

«Saramago é ateu mas os seus livros supõem um sentimento religioso. Ao contrário de Richard Dawkins, por exemplo, que é ateísta militante e para quem a ideia de Deus não apenas é absurda como, ainda por cima, está na origem dos males do mundo. Saramago pode não andar longe, mas há um halo, uma respiração, um apelo do indizível e do invisível, os lugares onde Deus podia habitar: no meio do deserto ou na noite escura dos tempos, antes de os homens lhe terem emprestado o gene da crueldade e da vingança, e de se terem organizado em religiões rivais e exclusivas (“onde estou eu não podes estar tu”). Acontece que a ideia de Deus ou está em nenhuma parte ou em todo o lado.» Ler na íntegra, aqui, o texto de FJV.



Coisas estranhas ou como os pontos de exclamação nos levantam tantas dúvidas

Houve pelo menos um leitor que chegou a este blog a partir da pesquisa "devo usar ponto de exclamacao em cumprimentos". No google.

Mário Zambujal publicará um novo livro pela Planeta

Mário Zambujal regressa à ficção e ingressa na Planeta. O escritor e jornalista não terá conseguido resistir aos longos, louros e encaracolados cabelos de Cristina Ovídio. Fez bem.

O novo livro chama-se "Uma Noite não são Dias" e será lançado até ao final de 2009. Segundo comunicado da editora, «na Avenida Vertical, nome de uma torre habitacional de 98 andares no ano de 2044, ocorrem dois misteriosos assaltos, e ali nascem paixões, intrigas e descobertas surpreendentes». Não diz muito, mas continua a ser um Mário Zambujal.

Caim já começa a dar polémica

As reacções ao novo livro de José Saramago já se começam a fazer sentir. Em resposta à frase-chave da obra, que emoldura o booktrailer («Que diabo de Deus é este que, para enaltecer Abel, despreza Caim?»), Maria Helena Pinto Ribeiro deixou na página de facebook do Senhor Palomar um pertinente comentário que aqui se reproduz:

«Não consegui encontrar no livro do Génesis a parte em que Deus despreza Caim. Devo ter saltado versículos.

O grande problema deste cidadão e de outros, é que não acreditando em Deus, conseguem defini-lo como alguém que escraviza, ou então alguém que faz do homem uma marioneta. O homem é escravo dos seus desejos de dominar, de possuir… enquanto Deus criou o homem livre. Livre para poder decidir que quer a paz e de lutar por ela… Pico della Mirandola percebeu isso muito bem.

Um Deus que tem “poderes suficientes para obrigar os impertinentes desavindos a depor as armas e deixar a humanidade em paz” continua a ser um Deus em quem não consigo acreditar e nem me esforço para isso.

Só quem alimenta os fantasmas que estão dentro de si próprios é que acredita que eles existem.
»

Há males que vêm por bem

Por exemplo: esta notícia levou Francisco José Viegas a reler Le Carré.

Ainda os tradutores

«Sei, mais que nunca, que todo tradutor é um traidor. Mas, sem esses traidores, que seria de nós, leitores, e nossas naturais limitações para ler na língua original todas as obras interessantes que há nas prateleiras mundo afora?» Ler na íntegra aqui o texto de Robertson Frizero.

Top de livros dedicados à Queda do Muro de Berlim

Lista do The Guardian. Recorde-se que, sobre este tema, a Bertrand publicará O Mundo Perdido do Comunismo - História Oral do Quotidiano do Outro Lado da Cortina de Ferro, de Peter Molloy e a LeYa Oceanos a obra A queda do Muro, de Olivier Guez e Jean-Marc Gonin.

As 70 melhores capas da Marvel

Para conferir aqui.

Uma versão muito própria de Os Irmãos Karamazov

No The Onion.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Caim, de José Saramago, no Público

Aqui.

Caim - o novo livro de José Saramago. Apresentação de Pilar del Río


«Saramago escreveu outro livro. O seu título é “Caim”, e Caim é um dos protagonistas principais. Outro é Deus, outro ainda é a humanidade nas suas diferentes expressões. Neste livro, tal como nos anteriores, “O Evangelho segundo Jesus Cristo”, por exemplo, o autor não recua diante de nada nem procura subterfúgios no momento de abordar o que, durante milénios, em todas as culturas e civilizações foi considerado intocável e não nomeável: a divindade e o conjunto de normas e preceitos que os homens estabelecem em torno a essa figura para exigir a si mesmos - ou talvez seria melhor dizer para exigir a outros- uma fé inquebrantável e absoluta, em que tudo se justifica, desde negar-se a si mesmo até à extenuação, ou morrer oferecido em sacrifício, ou matar em nome de Deus.

“Caim” não é um tratado de teologia, nem um ensaio, nem um ajuste de contas: é uma ficção em que Saramago põe à prova a sua capacidade narrativa ao contar, no seu peculiar estilo, uma história de que todos conhecemos a música e alguns fragmentos da letra. Pois bem, com a cabeça alta, que é como há que enfrentar o poder, sem medos nem respeitos excessivos, José Saramago escreveu um libro que não nos vai deixar indiferentes, que provocará nos leitores desconcerto e talvez alguma angústia, porém, amigos, a grande literatura está aí para cravar-se em nós como um punhal na barriga, não para nos adormecer como se estivéssemos num opiário e o mundo fosse pura fantasia. Este livro agarra-nos, digo-o porque o li, sacode-nos, faz-nos pensar: aposto que quando o terminardes, quando fizerdes o gesto de o fechar sobre os joelhos, olhareis o infinito, ou cada qual o seu próprio interior, soltareis um uff que vos sairá da alma, e então uma boa reflexão pessoal começará, a que mais tarde se seguirão conversas, discussões, posicionamentos e, em muitos casos, cartas dizendo que essas ideais andavam a pedir forma, que já era hora de que o escritor se pusesse ao trabalho, e graças lhe damos por fazê-lo com tão admiráveis resultados.

Este último romance de José Saramago, que não é muito extenso, nem poderia sê-lo porque necessitaríamos mais fôlego que o que temos para enfrentar-nos a ele, é literatura em estado puro. Dentro de pouco tempo podereis lê-lo em português, castelhano e catalão, e então vereis que não exagero, que não me move nenhum desordenado desejo ao recomendá-lo: faço-o com a mais absoluta subjectividade, porque com subjectividade lemos e vivemos. E falo aos amigos, porque esta carta apenas a eles vai dirigida. Com muita alegria.

Felicidades a todos os leitores: um ano depois de A Viagem do elefante temos outro Saramago. São três livros em um ano, porque também há que contar com o Caderno, o livro que vamos lendo aqui em cada dia. Não podemos pedir mais, o nosso homem cumpriu, e de que maneira. A idade, amigos, aguça a inteligência e agiliza a capacidade de trabalho. Que sorte a nossa, leitores, de ter quem nos escreva.

Pilar del Río
»

Aqui.

O novo livro de José Saramago. "Caim" de seu nome.



«Que diabo de Deus é este que, para enaltecer Abel, despreza Caim?»

As cidades onde vivemos são livros inacabados

This Is Where We Live from 4th Estate on Vimeo.