AVISO

Dia 1 de Setembro, o Senhor Palomar muda-se de livros e bagagens para http://senhorpalomar.com/

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Entrevista: Mia Couto

Ler no Sapo Livros.

Ontem passaram 121 anos sobre o nascimento de Raymond Chandler

Relembrado pelo Bibliofilmes, o Senhor Palomar ficou à espera de um texto de Francisco José Viegas. Mas sem sucesso.

A história de Laureano Barros, o homem que fugiu com uma biblioteca

Contada pelo repórter Paulo Moura.

Para o Senhor Palomar, esta será sempre a cara de Truman Capote. E, envergonhado, pede desculpa por isso


Imagem retirada daqui.

Retirado daqui. Sobre o filme, aqui.

Ciclo "Dúvidas do Senhor Palomar"

"Jesusalém", de Mia Couto, no Brasil, chama-se "Antes de Nascer o Mundo". Trata-se de uma tentativa de não confundir a obra com o "Jerusalém" de Gonçalo M. Tavares, como defende Eduardo Pitta, ou pressões para que o título não ofendesse o povo brasileiro (viva!)?

"A Parte pelo Todo Autor", de João Luís Barreto Guimarães (Quasi Edições), por José Mário Silva

«O principal mérito de JLBG, na arriscada deambulação por uma paisagem emocional instável, é não ceder um milímetro que seja ao sentimentalismo. Em vez de pathos, um desalento que nos chega através de elipses bem trabalhadas e da sintaxe precária, sempre à beira de esboroar-se. A atenção concentra-se nos pormenores: o fato «para levar no esquife» pousado sobre a cama; a barba que continuou a crescer depois da morte; recordações felizes da intimidade (o filho, de joelhos, cortando as unhas dos pés ao pai); a SMS enviada para um telemóvel agora sem préstimo (porque nem sequer vale a pena ligar para Deus); o antidepressivo que se toma como uma «hóstia alegre», uma «unidose de euforia».

Ler na íntegra aqui.

Direitos de autor. Para perceber em que ponto estamos, vale a pena ler este livro de António Machuco Rosa (Angelus Novus)

Entrevista ao autor para ler aqui e aqui.

Excerto da entrevista (obrigatória):«As leis do direito de autor têm como objectivo incentivar a inovação. Assim sendo, decorre mecanicamente da lei que um país importador de informação deveria ter condições mais favoráveis de acesso. Mas os países ocidentais são hipócritas, e os tratados internacionais foram escritos em seu favor. Felizmente, graças ao escândalo da SIDA, a atitude tem, pelo menos em parte mudado. Obviamente que os países pobre devem ter acesso em condições aceitáveis a medicamentos que salvam as vidas dos seus cidadãos. Portanto, ‘condições favoráveis’, nada que tenha a ver com cópias piratas para serem vendidas no mercado de Pequim.»


quinta-feira, 23 de julho de 2009

Publicidade gratuita ou o pedido desesperado para que façam chegar ao Senhor Palomar um exemplar impresso da B:MAG sem perguntas

O Senhor Palomar recebeu mais um mail simpático dos Booktailors. Da última vez foi para anunciar a sua revista, desta faziam publicidade a um curso que deixou o Senhor Palomar entusiasmado e que talvez venha a frequentar enquanto aluno. Trata-se do curso de Jornalismo Literário, conduzido pelo grande repórter Paulo Moura. São 24 horas, com início a 26 de Outubro, e a informação está toda aqui.

Duas associações? Com os livros isto não surtiu grande efeito

«Compositores portugueses vão ter não uma mas duas associações»

Há coisas que fazem o Senhor Palomar sorrir

Como este post de Carla Maia de Almeida: «O Senhor Palomar desfaz aqui uma possibilidade que também já me tinha passado pela cabeça. O Senhor Palomar, sendo um conservador e gentil-homem (se não por nascimento, por filiação e herança literária), nunca iria mentir sobre algo tão importante. A Senhora Palomar também não, embora por amor se façam coisas impensáveis. Como trocar o Rick Blaine pelo Victor Laszlo. Qual deles preferia ser o Senhor Palomar, isso também eu gostava de saber.»

Será o Senhor Palomar um cavalheiro gentil?

Quando muito, um barão trepador. E sim, mais do que a blogosfera fervilhar pela identidade do Senhor Palomar, tudo isto se deve a estarmos em pleno fogo da silly season.

Obrigado, Blusmile.

Ponto de ordem, ou desordem, com esclarecimento de identidade e finalização com agradecimento

Estimada Isabel Coutinho,

Vêm os signatários pelo presente afirmar que:
1. não somos Francisco José Viegas, embora gostássemos de o ser;
2. sim, viemos para ficar. Pelo menos até ao final do ano, mais coisa menos coisa. Ou não;
3. agradecemos, humildes, as boas-vindas.

Seus,
Palomar e Palomar.

Boas notícias: Ana Cristina Leonardo entrevistou o escritor com nome ruim

É melhor prepararmo-nos.

Audiências do dia de ontem e o pânico do Senhor Palomar aos flashes das máquinas fotográficas

Mil trezentas e onze visitas.

O Senhor Palomar, que não está habituado a estar na mira de focos de luz (sempre fugiu das objectivas das máquinas fotográficas e sempre se recusou a sequer pousar em grupo), está a estranhar a atenção que lhe estão a dar. Sobretudo em Julho - mês de férias, quando o país está a banhos e as praias estão mais lotadas que o mercado da Ribeira num sábado de manhã - sítio simpático, diga-se, onde se misturam todo o tipo de linguarejos e texturas, pese embora não tão populado quanto as livrarias, feitas feiras do livro (com o devido respeito pelas livrarias), que se mudam para o litoral, expropriando escolas primárias, mercados abandonados e ginásios à espera de Setembro. É o livro a um euro, a dois euros, promoção promoçãozinha, para ocupar os tempos livres com o livro que o pai se esqueceu de levar, pois pensou que o 24 horas seria suficiente para as muitas horas que passa a ficar mais vermelho que um adepto domingueiro do clube de Carnide. Pelo meio a criança quer estender-se ao sol, põe creme protector, faz castelos de areia, chapinha na água e dá um mergulho para o qual não pediu autorização. O pai volta a pôr o creme que a água dissolveu, a mãe a desapertar a fita do biquini, pois quer um bronze digno das revistas que compra na ida para o areal. É o gelado, é a bola de Berlim, é o livro que cai à água e fica com as páginas estragadas – mas não faz mal, foi só um euro, dois euros (promoção promoçãozinha), problema é a gasolina que não pára de aumentar (quase trezentos paus) e os restaurantes que têm a cerveja que se quer fria, à temperatura ambiente. É hora de deixar a praia e arruma-se no mesmo saco o livro com os cremes, com o chapéu da criança, as fraldas sujas e o maço de tabaco vazio. Vai tudo lá para dentro, o 24 horas é despejado no caixote do lixo (azul, claro, que o verde é para o vidro, o vermelho para o plástico e o amarelo para a lata de coca-cola que entretanto a criança pediu, e não bebeu, porque o vendedor não tinha palhinha). O livro sobreviverá àquela tarde, possivelmente àquelas férias, mas chegará a casa, juntamente com as crianças e a areia que se acumulou nos tapetes do carro, sem que mais ninguém lhe dê atenção. Não irá parar ao saco azul, pois em Portugal ninguém deita livros fora (o português pode ter dezenas de livros ainda envoltos em plástico que nunca irá ler, mas deitá-los fora é que nunca), contudo, não voltará a ser reaberto. O livro morrerá na estante, ninguém mais se vai lembrar dele. Mas daqui a uns tempos, quando mudarem de casa talvez aquele casal se lembre daquele livro. Não daquele livro especificamente – mas das férias que passaram juntos. E vendo assim as coisas, no fundo, talvez aquele livro até seja mesmo importante, pois acaba por cumprir o propósito e o objectivo final de qualquer livro (pelo menos num mundo ideal): servir de música de fundo e contexto do que mais importa.

[Imagem retirada daqui.]

John dos Passos

Novas edições a cargo da Presença, reportagem no DN.

Estaremos nós a despertar para as biografias?

Foi isso que Sérgio Almeida foi tentar perceber. Aqui.

Copa da literatura brasileira, para quando a portuguesa?

Quem conhece o Senhor Palomar, sabe o quanto ele gosta de uma boa partida de futebol. E livros. Já livros sobre futebol, nem todos. Embora haja alguns autores, e livros, que valha a pena ler com muita atenção - casos de Javier Marías (Publicações Dom Quixote), Eduardo Galeano (Livros de Areia) ou do nosso Luis Freitas Lobo (Primebooks).

No Brasil, decidiram juntar as duas artes e formaram a copa da literatura brasileira, na qual romances se degladiam como se de uma fase final de um campeonato do mundo se tratasse. Os resultados dos jogos, e não só, podem ser vistos aqui. Na edição anterior, e à primeira vista, entre os partipantes, estiveram alguns livros já publicados em Portugal, casos de Adriana Lisboa (Quetzal), O filho eterno, de Cristóvão Tezza (Gradiva), ou O Dia Mastroianni (LeYa Caminho). Diga-se, aliás, que a final foi disputada entre estes dois últimos adversários, com Tezza a levar a melhor sobre Cuenca por uns humilhantes 11-3.

Na edição de 2009, podemos contar com outros autores que não são desconhecidos para o público português, casos de Daniel Galera, Patrícia Melo, Moacyr Scliar, ou Paulo Coelho. A propósito deste último, já há quem fale em favoritismo e jogo viciado, ao defender que este autor deveria estar na segunda liga e que apenas se mantém à tona de água por questões em nada relacionadas com futebol.

Entusiasmado, grato a Eduardo Coelho por lhe dar a conhecer esta iniciativa, o Senhor Palomar espera agora a organização de uma iniciativa do género em Portugal. Quem dá o pontapé de saída? Estes senhores é que o podiam fazer. Ou estes. Ou estes.

[Imagem retirada daqui]

Conceitos que o Senhor Palomar não consegue entender, mas que aceita que estão bem embrulhados para convencer o comprador, perdão, o leitor

Visão arranca com colecção de Livros Proibidos.

Mais um santinho no altar de Pedro Vieira: Bolaño

As meninas de Numídia, de Mohamed Leftah (Quetzal)

5 estrelas. José Riço Direitinho também gostou. Percebe-se porquê.