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Dia 1 de Setembro, o Senhor Palomar muda-se de livros e bagagens para http://senhorpalomar.com/
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terça-feira, 14 de julho de 2009

O Fiasco do Milénio e outras tragédias menores, de Rui Tavares (Tinta-da-China), por José Mário Silva

«Sem qualquer tipo de constrangimento temático, Tavares demonstra aqui o vasto espectro dos seus interesses. Se uma crónica faz a exegese de uma canção de Adoniran Barbosa, outras abordam a impossibilidade da Bélgica, a «filosofia portátil» do cavaquinho, os problemas associados ao progresso tecnológico ou o futuro do jornalismo. Surgem ainda questões linguísticas, pequenos ensaios literários (sobre Kurt Vonnegut, Eça de Queirós, António José da Silva) e reflexões intemporais sobre a infância, a vida nas cidades ou o próprio acto de escrever. Não por acaso, os textos menos interessantes são os que nascem da tal actualidade de que o autor queria fugir (referendo para a despenalização do aborto, eleições presidenciais nos EUA).»

Ler na íntegra aqui.

sábado, 11 de julho de 2009

Um encontro, de Milan Kundera, no El País

O Babelia do El País traz hoje uma recensão ao último volume de ensaios de Milan Kundera. Ver aqui.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

333, de Pedro Sena-Lino (Porto Editora), por José Mário Silva

«O problema está na escrita de Sena-Lino, no excesso metafórico, na ênfase lírica que boicota ou entorpece demasiadas vezes o processo ficcional, no abuso de expressões gongóricas («a profundidade secreta da sua alma», o olhar que golpeia «de eternidade», os amantes «rasgando-se num relâmpago interior de prazer», etc.) que se tornam cansativas, mesmo sabendo que a narradora, a tal monja reclusa do século XVII, teria forçosamente que escrever num estilo barroco, para ser fiel à sua natureza e ao seu tempo.»

O Senhor Palomar, já se sabe, discorda da apreciação do crítico literário José Mário Silva. Ver aqui. Diga-se, contudo, que na blogosfera JMS foi bem mais suave do que na versão impressa do jornal. Ainda bem.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O caderno, de José Saramago (Caminho), por José Mário Silva

«Os melhores textos, porém, não são os de pendor político. São os outros. Aqueles em que Saramago se liberta da pose de intelectual empenhado e evoca escritores (Eduardo Lourenço, Jorge Amado, Carlos Fuentes) ou figuras que admira (Rita Levi-Montalcini, Federico Mayor Zaragoza, Baltasar Garzón), fala dos seus cunhados ou de Susi (a «elefanta solitária» e triste do jardim zoológico de Barcelona), reflecte a partir de um mote («como serão as coisas quando não estamos a olhar para elas?») ou demonstra uma surpreendente generosidade (ao antever, por exemplo, um futuro Nobel da Literatura para Gonçalo M. Tavares).»

Este texto, da qual se reproduz um excerto, deu origem a uma resposta do Nobel da Literatura, que por sua vez foi objecto de réplica por José Mário Silva.

sábado, 4 de julho de 2009

Deslizamento, de Jorge Listopad, por José Mário Silva

«É uma arte da miniatura, já o dissemos. Mas também arte da elipse, da suspensão, dos suaves enganos. Tudo feito com elegância, aprumo, vontade de descobrir atalhos. «Eu era velho e inventava coisas novas», diz Listopad, cheio de razão, com a certeza de quem também afirma: «São as paisagens que variam e se repetem, projectando-se nos ecrãs dos sonhos sonhados, na textura dos textos, nos quadros ainda não pintados. Não perguntem porque é assim. É assim.» E é mesmo.

Ler na íntegra aqui.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Criador de Letras, de Pedro Foyos, por José Mário Silva ( Hespéria)

«É justamente o processo de invenção das letras associadas a sons que Pedro Foyos descreve neste livro, atribuindo-o a um homem «bom de coração» que, enquanto cria o novo alfabeto (moldado com hastes de vimeiro), incorpora nele as histórias e os factos do mundo que o rodeia. As letras tanto se inspiram nos dentes de um arado como nas mudanças de paradigma religioso (o «deus único» solar imposto por Akhenaton), na forma de um almofariz como nas conspirações políticas que agitam a cidade; ou ainda nos diálogos filosóficos entre o Criador de Letras e uma sábia oliveira milenar (Mãe Taât).»

Ler na íntegra aqui.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Pequena Enciclopédia da Noite, de Carlos Nejar (Quasi), por José Mário Silva

«Neste livro que reúne meia centena dos seus «melhores poemas», de Livro de Silbion (1963) a Sonetos do Paiol ao sul da Aurora (1997), Nejar oferece ao leitor uma viagem-relâmpago ao fulcro da sua obra, por muito que a «apertadíssima escolha» provoque no poeta português António Osório, autor da nota introdutória, uma não escondida perplexidade: «Mas como ousou Carlos Nejar, senhor de uma obra imensa [perto de 30 títulos], reduzi-la a… 50 poemas? E os “melhores”, porquê os melhores? Os outros, as inúmeras centenas, não contam? Serão eles menores?»

Ler na íntegra aqui.

O Filho da Mãe, de Bernardo Carvalho, por Eduardo Pitta (Cotovia)

«O seu último romance, O filho da mãe, um projecto encomendado (o autor teria de passar três meses numa cidade estrangeira e situar lá o plot), tem São Petersburgo como cenário. O título tem que ver com o facto de existir uma associação de mães que zela pelos interesses dos filhos destacados à força para a Tchetchénia. Bernardo Carvalho viveu em São Petersburgo durante uns meses. Um susto. O livro fala da nova Rússia. A Rússia dos arqui-milionários, do consumismo desenfreado, das máfias. A Rússia que deixou de ser URSS mas não abdicou do ocupar a Tchetchénia. Fala de desespero e humilhação: oficiais do exército russo que obrigam recrutas e soldados a prostituirem-se com homens.»

Ler na íntegra aqui.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Os Meus Prémios, de Thomas Bernhard, por Sara Figueiredo Costa

« Thomas Bernhard, prolífico autor de uma das obras mais importantes da segunda metade do século XX, reuniu um conjunto de textos sobre os vários prémios que recebeu ao longo da vida, anexando-lhes alguns dos discursos que proferiu em tão solenes ocasiões. Entre a constatação da ignorância de parte considerável dos presentes nas cerimónias e o registo de algumas preocupações de cariz existencial que extravasam a temática dos prémios, a verve de Bernhard produz um discurso frontal, certeiro nos seus alvos e nada encantado pelas luzes da ribalta. Assumindo que aceita os prémios porque o dinheiro lhe faz falta, o autor de Frost não se poupa a descrições pormenorizadas, algumas hilariantes (apesar do tom sério), das cerimónias. Entre croquetes e cumprimentos, há muito pouca literatura.»

Ler na íntegra aqui.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Veneza, Jan Morris (Tinta-da-China)

A não perder no Ípsilon de hoje a reportagem de Alexandra Prado Coelho dedicada a "Veneza", de Jan Morris (Tinta-da-China), que conta com testemunhos da autora. Tradução de Raquel Mouta (excelente, segundo avança o coordenador desta colecção de viagens, Carlos Vaz Marques).

Ler ainda a crítica de Eduardo Pitta, que atribui 5 estrelas à obra: «Morris adverte que não se trata de um livro de história, nem de um guia, nem sequer de uma reportagem. Ignore os avisos. O índice remissivo contém todas as referências importantes, e uma cronologia entre o ano 421 e 1960 não deixa nada de fora. O índice onomástico é precioso. Convém perceber que falamos de uma sociedade fechada: «Veneza nunca foi amada. Sempre esteve à parte, sempre foi invejada, sempre suspeita, sempre temida. [...] Era o leão que caminhava sozinho.» Ler na íntegra aqui.

O Senhor Palomar já tinha falado desta obra aqui.

Do Mundo Original, de Vergílio Ferreira, por João Paulo Sousa

«Desde o início, impressiona a coerência de um pensamento sobre a arte que se desenha e reitera ao longo de todos os textos. Um dos tópicos mais glosados é o da sinceridade do artista, que, na óptica do autor, serve para o distinguir de um teorizador, na medida em que as ideias podem ser discutidas e contestadas racionalmente, mas o mesmo não se pode fazer em relação a uma obra de arte: «Se uma obra de arte nos não fala, ela puramente não existe.»

Ler na íntegra aqui.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Michael Tolliver está vivo, de Armistead Maupi (Contraponto), por Eduardo Pitta

«Armistead Maupin é um escritor e jornalista laureado, combateu no Vietname (1967-70) como fuzileiro naval, assumiu publicamente a sua homossexualidade em 1974 e, em 2007, casou com o fotógrafo Christopher Turner. Michael Tolliver está vivo, o seu mais recente romance, chegou às livrarias portuguesas numa tradução irrepreensível de Duarte Sousa Tavares.»

Ler aqui na íntegra o texto de Eduardo Pitta.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Escritos secretos, de Sebastian Barry (Bertrand), por José Mário Silva

«Ao alternar as entradas dos dois diários, Barry traça pouco a pouco o perfil de duas pessoas à beira da desintegração. Roseanne, vítima há várias décadas de uma história de vingança familiar que levou ao seu internamento à força, a pretexto de uma loucura inexistente, agarra-se ao passado com unhas e dentes, tentando resgatar uma versão dos factos que a memória – falível – pode ter entretanto distorcido. A Irlanda que emerge deste relato é escura, brutal, sangrenta, com o ódio entre católicos e protestantes a envenenar tudo, mas há também momentos de um lirismo luminoso, como se o negrume e a mais pura beleza fossem duas faces da mesma moeda.»

Ler na íntegra aqui.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Leite derramado, de Chico Buarque, por José Mário Silva (Publicações Dom Quixote)

«O romance é uma sucessão de monólogos fragmentários e contraditórios, nos quais certas histórias reaparecem insistentemente, mas sempre contadas de outra maneira, a partir de outro ângulo, com outra vibração. A verdade, se existe, é instável. Tudo pode ter sido assim – ou ao contrário. Na cabeça «meio embolada» de Eulálio, os tempos misturam-se, cruzam-se, coalescem. E os espaços também. Já não há palacete em Botafogo, chalé em Copacabana, apartamento na Tijuca, nem fazenda na «raiz da serra» (invadida pela favela), mas no «palavrório» do moribundo eles recuperam o antigo esplendor.»

Ler na íntegra aqui.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Longa Marcha, de Ed Jocelyn e Andrew McEwen(Quidnovi), por Paulo Moura

«Um livro de conteúdo fascinante, ainda que frágil do ponto de vista formal. A tradução desta edição portuguesa também não ajuda. Desde erros básicos de concordância gramatical até à sistemática colocação de vírgulas entre o sujeito e o verbo, o descuido da edição consegue tornar a leitura quase tão penosa como a própria Longa Marcha.»

Ler na íntegra aqui.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Os Meus Prémios, de Thomas Bernhard, por Hugo Pinto Santos

«... T.B. mostra todo o seu desprezo, ou o desprezo que gostaria de sentir, pela «chamada honra» (p.122). «Todas as honras», dirá, «já então eram para mim suspeitas» (id.). A «única resposta», defende, cortante, «é a de rejeitar todas as honras» (p.110). Numa das suas alocuções, aliás, diria mesmo: «Não há nada a louvar, nada a condenar, nada a acusar, mas há muita coisa ridícula; tudo é ridículo, quando se pensa na morte» (p.133). O seu desdém vai a ponto de apoucar a mera formalidade do papelucho – «o chamado diploma do prémio, cuja falta de gosto, como a de todos os outros diplomas de prémios que recebi, era inexcedível» (p.16). De resto, comenta mesmo, «já não tenho todos os outros diplomas de prémios, perderam-se no decorrer dos anos» (p.48).»

Ler no Rascunho.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Israel, de Martin Gilbert, por Eduardo Pitta (Edições 70)

«O historiador Tony Judt diz que tudo começou a partir da Guerra dos Seis Dias, em Junho de 1967, altura em que certa ideia de sionismo messiânico, intolerante e ultra-religioso deu cabo do capital de simpatia que o jovem estado gozava mesmo nos sectores da esquerda europeia. Um dos ensaios de Judt — Vitória Sombria: a Guerra dos Seis Dias de Israel, coligido em O Século XX Esquecido — é eloquente a tal respeito. Escrevi sobre esse livro no Público, mas pode lê-lo também aqui. O que me faz voltar ao assunto é a notável História de Israel de Martin Gilbert (n. 1936), o historiador que toda a gente reconhece como o mais reputado biógrafo de Churchill e um especialista do Holocausto.

Ler na íntegra aqui o texto de Eduardo Pitta.

Ler nota da editora, aqui. Booktrailer disponível aqui.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ana Cristina Leonardo também gostou de "As meninas de Numídia", de Mohamed Leftah (Quetzal Editores)

«As Meninas da Numídia é, pois, o seu romance inaugural e, mesmo que não tivesse escrito mais nada, só por este merecia lugar de destaque. Original e inclassificável, o texto recria o ambiente de um bordel de Casablanca onde as putas têm nome de flores e os chulos sodomizam louros escandinavos. A linguagem é simultaneamente poética e crua, e Leftah consegue ainda a proeza de, a uma só voz, escrever um hino às mulheres e à literatura.» Ler na íntegra aqui.

Ler texto sobre esta obra do Senhor Palomar aqui.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Cachimbo de Marcos, de Javier de Isusi (Edições Asa), por Sara Figueiredo Costa

«Primeira obra do basco Javier de Isusi, O Cachimbo de Marcos inaugura a série ‘As Viagens de Juan Sem Terra’, registo das deambulações de Vasco em busca do amigo Juan, desaparecido misteriosamente. Num preto e branco que tira o melhor partido das sombras e da sua capacidade de criar volumes e contrastes, Isusi constrói uma narrativa que convoca o romantismo das revoluções ao mesmo tempo que o questiona, num exercício capaz de inquietar os corações mais utópicos.»

Ler texto na íntegra aqui.