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Dia 1 de Setembro, o Senhor Palomar muda-se de livros e bagagens para http://senhorpalomar.com/
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009

O caso Bonifácio, por Ana Margarida Craveiro

«...um dos directores da publicação em que escrevo faz um editorial a pedir desculpa aos fãs do autor por mim, num tom subserviente e que insulta o meu trabalho. Pior: depois vem o provedor da mesma publicação dizer em tom autoritário que, se não gosto daquele autor, nunca deveria ter escrito sobre ele. Diz ele que não é curial. Assim, categoricamente.

Pode isto acontecer em Portugal? Pode


Ler na íntegra aqui.

Será que ainda existe espaço para Vergílio Ferreira? (Se alguém disser "não", escusa de voltar)


O Senhor Palomar soube da experiência pelo Blogtailors: «No início do ano, a jornalista Susana Torrão criou a «autora» Isabel Sousa. Deu-lhe identidade e uma primeira obra: o Até ao Fim, de Vergílio Ferreira, mas com o título e os nomes dos personagens principais alterados. A primeira obra de Isabel Sousa, Vigília, foi enviado para as editoras nacionais, em conjunto com uma pequena descrição de si mesma. Nos seis meses seguintes, Susana Torrão foi contactando as várias editoras, fazendo-se passar pela autora, por forma a tentar que o seu livro fosse publicado, esperando que a obra fosse identificada como sendo de Vergílio Ferreira.»

O Senhor Palomar foi ler a reportagem das páginas 102 a 105 da revista SÁBADO. Algumas notas:

1. A jornalista contactou o Direct Group. A telefonista indicou que novos autores portugueses era com a Pergaminho. Aqui, o Senhor Palomar não sabe o que dizer do Direct Group que não dá as indicações devidas ao pessoal que atende o telefone, mas inclina-se para subscrever a tese que um jornalista que se propõe fazer uma experiência deste tipo, deveria conhecer melhor os catálogos daquela estrutura. Sobretudo quando a obra completa de Vergílio Ferreira foi publicada pela Bertrand e está actualmente a ser reeditada pela Quetzal (ambas do grupo). Por isso, a justificação da jornalista que não contactou as outras editoras do grupo, porque a telefonista lhe disse para contactar a Pergaminho, não serve.

***

2. Passaram-se seis meses e ninguém mostrou interesse em publicar a obra. Motivos invocados: falta de espaço para publicação na área da ficção; que não estão a aceitar novos autores; que não corresponde ao perfil do catálogo; férias do pessoal (Difel): «O colega está de férias mas, e vai-me desculpar por eu lhe estar a dizer isto, se não houve resposta até agora é porque a obra não representa um interesse para a editora». Outras nem justificações apresentaram, mas passaram a enviar uma newsletter com informação relativa à editora.

Ao invés de achar um escândalo que a jornalista não tenha resposta, o Senhor Palomar até consegue compreender que assim seja. No frenesi de se publicar "o que dá", não há tempo para olhar para o que "não dá". O excel é um programa meio obtuso e obriga a que não se olhe para novos autores ou se considere os originais demasiado complexos para uma primeira obra.

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3. Dicas para criação de um livro susceptível de publicação: se é a tua primeira obra e queres ser autor, começa por algo bem simples. Nada de coisas complicadas com mais de três personagens ou grandes reflexões: A conhece B. C gosta de B. C vai fazer a vida negra a A. No final, C morre. A e B vivem felizes para sempre. Salpiquem tudo com ambientes bem comuns (o Centro Colombo, o Vasco da Gama, a esplanada junto ao rio) e personagens bem complicadas (o administrador de empresa, a senhora que trabalha de sol a sol que não tem dinheiro para educar a filha, orfã claro, que é um anjo; a matriarca da família rica que não dá esmolas; etc). A história deve ser linear, sem analepses ou prolepses, que isso só complica. Tudo cosido, está pronto a ir ao forno.

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4. A somar ao que já foi dito, e que de alguma forma isenta os editores, há ainda outro ponto: da esmagadora maioria dos originais que chegam às editoras, são muito poucos os que apresentam qualidade de publicação. O que não é, nem pode ser, motivo, para que os editores façam vista grossa a tudo o que lhes aparece e necessitem de um prémio, ou outra muleta, para dar atenção a quem se deu ao trabalho de os considerar para seu editor. A agir assim, nunca se sabe quando é que lhes bate à porta um Vergílio Ferreira e estes apenas lhe indicam a saída. Se a casa ficar num beco, então ainda pior.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A Carla Maia de Almeida, mesmo quando dá uma nega, continua a ser tão simpática que nos deixa perturbados por estar a incomodar

«...ora, apesar de gostar muito do banner que ele desenhou, até porque tenho uma tatuagem no mesmo sítio, custa-me subscrever a proposta. Acho que o ponto de exclamação faz falta, como tudo o que existe, à excepção do Alberto João Jardim e de mais algumas pessoas. Quando se quer passar da ironia para o sarcasmo, um ponto de exclamação pode ser o remate certo. Percebe-se a intenção. De vez em quando, a indignação, o espanto e o entusiasmo também precisam do seu pontito atrevido. Sem emoções, a vida é uma chatice ainda maiorAqui.

A propósito, o mais recente livro da CMA já chegou às livrarias. Façam o favor de comprar. O Senhor Palomar recorda que a obra passou pelo mais rigoroso dos testes que certificam a sua qualidade. Ler aqui.

O Senhor Palomar já está a imaginar procedimentos similares a todos os jornalistas que queiram entrar no Estádio do Restelo

«"Para receber uma acreditação, os jornalistas devem aceitar que os seus dados pessoais sejam verificados exaustivamente", disse a redactora-chefe do diário [Tageszeitung], Ines Pohl, acrescentando: "Nenhum acontecimento é assim tão importante que justifique uma traição aos princípios fundamentais da liberdade de imprensa".» Ler no Público.

Passa-se isto a propósito da atribuição de acreditações para cobertura dos Mundiais de atletismo, de 15 a 23 de Agosto em Berlim.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Polémica João Bonifácio: mas afinal Joaquim Vieira é provedor de quem?

«Como o provedor já considerou noutras ocasiões, o PÚBLICO, que ambiciona claramente ter uma função federadora em relação à população portuguesa, deveria cuidar de não alienar os diversos grupos sociais com considerações gratuitas ou de mau gosto, eventualmente ofensivas. A responsabilidade não é de João Bonifácio, mas de um editor que deveria ter feito a leitura prévia do texto e chamar-lhe a atenção para uma passagem mais desprimorosa para os adeptos de um clube. Na esmagadora maioria dos casos, o redactor cai em si, muda o que tiver de ser mudado e o texto cumpre na mesma a sua função.»

crê o Senhor Palomar que nunca teve o prazer de falar presencialmente mais de dois minutos consigo, na verdade, o Senhor Palomar e o Joaquim Vieira apenas terão estado juntos em eventos comuns, sem que este subscritor tenha tido o gosto de dizer-lhe que é seu leitor. Lamenta por isso o Senhor Palomar que o primeiro contacto directo seja para lhe dizer que discorda em absoluto do que escreve sobre o caso Bonifácio.

O Senhor Palomar não se pretende alongar, pelo que lhe dirá apenas isto: quando o Senhor Palomar quiser ler um jornal alinhado, compra o Avante!. Até lá, este leitor pagante do jornal Público espera que o senhor cumpra aquilo que parece ser a mais elementar das missões para um provedor: que defenda os direitos dos leitores. O que, claramente, não aconteceu.

Polémica João Bonifácio ou o texto-síntese de Francisco José Viegas

Francisco José Viegas diz tudo o que há para dizer sobre a polémica. O texto vale mesmo a pena ser lido, mas basta ler as últimas quatro linhas para perceber por que razão o Público errou e deveria afixá-lo em todas as páginas do jornal:«Há aqui outro problema. Jornalista de uma publicação que eu dirija é meu jornalista. E eu sou solidário com ele. Se lhe chamam boi, acaba-se a discussão. Mesmo que ele seja boi. E insinuações absolutamente sujas como «devia é ser despedido» também terminam a discussão.»

O Público que entenda de uma vez por todas que são estas pequenas subserviências que o fazem perder leitores. Que este episódio conste do próximo relatório de vendas dos responsáveis. Já lá dizia a avó do Senhor Palomar: quanto mais te baixas, mais a saia levanta, mais se te vê o rabo. E olhem que a Dona Augusta era senhora de muito saber.

Manuel António Pina comentou no JN a polémica dos pontos de exclamação. A Sara Figueiredo Costa, no seu cadeirão, também

«Anda por aí uma excitada campanha (principalmente na blogosfera, mas também já a vi num jornal) contra o ponto de exclamação, do qual se diz o que Mafoma não disse do toucinho. Depois do quase total desaparecimento da prosa por assim dizer jornalística [...]parece que a “smsização” da Língua chegou aos sinais de pontuação, não tarda substituídos todos por animações e “emoticons”. [...] E temamos também por elas, pelas vírgulas, porque, se no caso do pobre ponto de exclamação o motivo é o seu mau uso ou o seu abuso, basta ver os maus tratos que as vírgulas sofrem hoje em jornais e blogues para não lhes augurar luzido futuro.»
Manuel António Pina, no JN.

«Sendo óbvio que as línguas mudam, queiram os conservadores ou não, é também óbvio que um dos desafios da escrita (e também da oralidade, se a pudermos cultivar com esmero) é a utilização dos recursos disponíveis com imaginação, estilo e inovação. Percebo o ódio aos textos polvilhados de pontos de exclamação, claro está, mas daí à sua extinção vai um passo de gigante. Usemo-los, pois, da melhor maneira
Sara Figueiredo Costa, no Cadeirão Voltaire.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

«O ponto de interrogação é um ponto de exclamação cansado»

Assim o diz Maria João Freitas no blogue "A namorada de Wittgenstein".

O manifesto anti-pontos de exclamação: e eis como o Senhor Palomar, e restantes bloggers, fazem coisas que não sabiam que estavam a fazer

«Um tema simples e divertido; um autor-celebridade e o seu mais recente best seller usados como catalisadores; influenciadores de peso a argumentarem na blogosfera e redes sociais; branding; e criação de uma aplicação para utilização viral – e eis que surge uma campanha bem animada.» Ler o texto de Joana Machado, no blogue não-autorizado da LPM.

O Senhor Palomar quer deixar claro que, ao contrário da interpretação da equipa LPM, o seu manifesto nada tem que ver com o quase-livro de MST

Mas, ainda assim, o Senhor Palomar agradece a mui simpática referência.

domingo, 2 de agosto de 2009

O roubo Tribuna da História - Pedro Vieira - ainda a blogosfera

«O que mais me enfurece ainda é que esses palhaços – cansei-me de ser civilizado – estão a ter uma onda de publicidade gratuita e fácil, não me espantaria nada que por causa deste episódio as vendas do maldito livro subissem. Não é segredo para ninguém o gosto perverso da humanidade em assistir e contribuir para a tirania. Ainda assim, mesmo que esses patifes ainda consigam lucrar com toda esta fantochada, os homens de bem não podem ficar calados e quietos. Não sei que tipo de efeito terá um boicote vindo do mundo dos blogs a uma editora que já de si, certamente, vende pouco, mas, ainda assim gostava de vê-lo. Mais que não fosse para que o Pedro saiba que não está sozinho nesta luta e que o chico-espertismo, felizmente, é mal visto.» Tiago Sousa Garcia, no Livros [s]em critério.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ainda o roubo da Tribuna da História a Pedro Vieira

As manifestações multiplicam-se. Ler os textos abaixo de dois dos principais bloggers portugueses:

- Eduardo Pitta: «Pode uma editora publicar texto ou imagem sem autorização do autor? Não pode. Enfim, talvez na Somália. Mas foi o que aconteceu, e o crime de usurpação de propriedade intelectual é capaz de ser público (passo a batata quente aos juristas). [...] Em que é que o Pedro Vieira tem menos direitos que a Paula Rego?»

- José Mário Silva: «O que a Tribuna da História fez tem um nome: roubo. Roubo descarado. Roubo sem vergonha. Roubo escandaloso. E tem que pagar por ele. Repito: o caso não se resolve apenas com o repúdio (espero que generalizado) da blogosfera e o eventual boicote dos leitores. Até pelos precedentes que abre, a infracção deve ser punida exemplarmente. E por isso sugiro que o Pedro, ou alguém por ele, leve – passe o quase pleonasmo – a Tribuna a Tribunal.»

Na terra do Senhor Palomar isto tem um nome: chama-se filhadaputice. Ou chico espertismo, vá.

A Tribuna da História publicou em livro uma ilustração de Pedro Vieira «sem que lhe tenham sido pagos quaisquer direitos, dado créditos ou sequer solicitado autorização», como escreve o Blogtailors. Ler aqui o texto de Pedro Vieira, que é talvez o único momento positivo desta triste história. É um belíssimo texto.

Relato de um jogo de futebol entre o Beleneses e o União da Madeira (segundo o livro de estilo do jornal PÚBLICO)

Por Pedro Vieira. É um post notável. De leitura obrigatória. Para relembrar este sórdido caso, é favor clicar aqui e aqui.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Nuno Costa Santos também está contra os pontos de exclamação

«Um ponto de exclamação mal colocado numa frase é uma deselegância indesculpável. Funciona como uma espécie de arroto verbal. O texto até pode estar “bem escrito” (ah, toda a vacuidade do mundo numa expressão barata), o artista até pode ser um bom artista, essas coisas todas, mas se coloca um ponto de exclamação onde não deve ser colocado estraga tudo (tudinho mesmo). Numa sala de decoração impecável é o dalmata de louça. O ponto de exclamação tem o efeito de uma bomba terrorista. A festa pode estar a correr bem, com um ambiente agradavelzito (apesar da música tenuemente new age), mas escusado era alguém ter feito rebentar o quarteirão todo com um explosivo colocado na marquise. É isso o ponto de exclamação.»

Texto de Nuno Costa Santos, no (infelizmente) extinto Sinusite Crónica.

terça-feira, 28 de julho de 2009

O Delito de opinião, que é um blogue democrático, discute em assembleia se irá excluir, ou manter, a utilização de pontos de exclamação

À altura em que o Senhor Palomar escreve, a discussão inclina-se para que se mantenham os pontos de exclamação. Discussão a acompanhar aqui.

Francisco José Viegas comenta caso Bonifácio

«Ora, acontece que, além de concordar 100% com o texto de Mexia, convém dizer que Bonifácio é um magnífico crítico e uma das pessoas que melhor escreve no Público. Só isso já basta. Nuno Pacheco, não tens razão

Nem mais.

O caso Bonifácio na blogosfera

A propósito deste caso, as reacções começam a espalhar-se na blogosfera. É desta forma patética que, em segundos, se destroem anos de eventual credibilidade adquirida. Aqui, pode ler-se o comunicado que Os Belenenses emitiram.

Pedro Vieira, Irmão Lúcia: «a liberdade anda a passar por aqui ou de quando o sub-director Nuno Pacheco mostra aos seus meninos como se faz opinião e relembra que quem se mete com a Cruz de Cristo, com o futebol e com o Montez leva. Lá dizia o outro


Luís, As Aranhas: «Se os jornais acham que se vão safar assim, colando-se ao rumor geral, reproduzindo as verdades feitas pela publicidade, trocando textos idiossincráticos (mas sempre potencialmente "ofensivos", porque há sempre alguém para ficar "ofendido" com as coisas mais inacreditáveis) por textos neutros escritos por autómatos, é lá com eles, que devem gastar fortunas em estudos de imagem e marketing. Mas se o futuro é isto, jornais limpos de conflito, de contraditório, de vozes minoritárias ou mesmo solitárias, confortavelmente plasmados na paisagem, eh pá, então mais vale acabarem já. É que não precisamos disso para nada, e mais vale ir inventando outra coisa, de preferência que envolva menos dinheiro

Blogue Grandes Sons: «Na semana que passou, um jornalista do Público teve a ousadia de escrever, numa crítica a um concerto do Super Bock Super Rock, que o estádio do Restelo costuma estar às moscas. A direcção do Belenenses escreveu uma carta ao Público a chamar boi ao jornalista e exigiu um pedido de desculpas — que aliás obteve. O mesmo jornal que, no caso das caricaturas de Maomé, considerou que as desculpas eram injustificadas, pede desculpa ao Belenenses por uma crítica musical. Américo Thomaz, esteja onde estiver, repousará com certeza satisfeito.»

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Bispo proibe encenação de Dario Fo

Domenico Sorrentino, bispo italiano, proibiu a encenação de Giotto ou não Giotto?, de Darío Fo, na basílica de San Francisco. O espectáculo coloca em causa que tenha sido Giotto a pintar os frescos daquele espaço. Ler no El País.