AVISO

Dia 1 de Setembro, o Senhor Palomar muda-se de livros e bagagens para http://senhorpalomar.com/
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pérez-Reverte na Porto Editora


É mais um autor Asa que começa a publicar na Porto Editora. Depois de Sepúlveda, Rosa Montero, Rosa Lobato Faria, Francisco José Viegas (anunciado), é Pérez-Reverte que marca presença no catálogo da Divisão Editorial Literária de Lisboa, chefiada por Manuel Alberto Valente (ex-Asa). Diga-se, contudo, que se trata de uma obra antiga do autor (1993), mas inédita em Portugal e que foi escrita inicialmente como folhetim do El País.

A obra, construída a partir de um acontecimento real, promete: «em 1812, durante a Campanha da Rússia, num combate adverso para as tropas napoleónicas, um batalhão de antigos prisioneiros espanhóis, alistados à força no exército francês, tenta desertar, passando-se para o [lado d]os russos. Interpretando erroneamente o movimento, o Imperador encara-o como um acto de heroísmo e envia em seu auxílio uma carga de cavalaria que terá consequências imprevisíveis» (retirado da nota de imprensa).

Tradução de Helena Pitta.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Deve ser isto que se chama dar poder ao povo

Enquanto o Senhor Palomar escreve este post, decorre uma curiosa auscultação na página de Facebook da Quetzal Editores. Pergunta-se ali qual das capas do próximo livro de Welsh, Crime, deve ir para as livrarias. O veridicto do Senhor Palomar é claro: nenhuma delas. Mas, de qualquer das formas, o Senhor Palomar nunca foi grande fã do lixo. Já do porno, artístico claro, não dirá o mesmo. Mas isso são outros trezentos.











Percorrendo os grandes estadistas pela colecção biografias, da Edições 70: Napoleão, uma vida política, de Steven Englund (Edições 70)


Ler mais aqui aqui. Steven Englund é professor da Universidade Americana em Paris. Completou os seus estudos superiores em Cambridge e doutorou-se em Princeton. A obra em questão recebeu o prémio de melhor livro de História Francesa do American Historical Association (2004) e foi considerado o melhor livro em língua estrangeira sobre o I império pela Fundação Napoleão.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Neil Gaiman mata Batman

Como seria o final do famoso superherói de Gotham City? “Whatever Happened to the Caped Crusader?” é a versão muito própria de Neil Gaiman.

Este velório promete.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O Tamanho Importa

Em homenagem ao dia internacional do orgasmo, uma muito breve dissertação sobre tamanho.
Tive recentemente um blind date com o senhor Capote. Um revigorante Breakfast at Tiffany's , a bem da verdade. Assim como quem esbarra com o carrinho de cachorros quentes e, apesar de estar numa dieta interminável, não resiste a uma dentadinha na salsicha. É que, meus amigos, confesso que desconhecia por completo a salsichinha deste senhor, e numa época em que se nota uma crescente tendência para o tamanho despropositado, que, consequentemente, nos preenche abusivamente qualquer buraquinho de tempo, procuro avidamente os pequeninos que possa saborear em modo rapidinha, ou a sangue frio se preferirem, para arejar de tanto calhamaço. Expectativas superadas. E que luxo, que engenho, 120 páginas de puro prazer. E como mais vale tarde que nunca, anseio por nova cavalgada com o Senhor Capote.



Breakfaste at Tiffany´s (Boneca de Luxo), Truman Capote, Dom Quixote

quinta-feira, 30 de julho de 2009

50 anos de Asterix assinalados com edição especial

Ler no JN.

E Setembro que nunca mais chega - vem aí o novo romance de Richard Zimmler

O anagrama de Varsóvia, Richard Zimmler, LeYa Oceanos. Em Setembro.

Segundo comunicado da editora trata-se de, cita o Senhor Palomar, «um romance policial arrepiante e soberbamente escrito passado no gueto judaico de Varsóvia. Narrado por um homem que por todas as razões devia estar morto e que pode estar a mentir sobre a sua identidade…»

segunda-feira, 27 de julho de 2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Direitos de autor. Para perceber em que ponto estamos, vale a pena ler este livro de António Machuco Rosa (Angelus Novus)

Entrevista ao autor para ler aqui e aqui.

Excerto da entrevista (obrigatória):«As leis do direito de autor têm como objectivo incentivar a inovação. Assim sendo, decorre mecanicamente da lei que um país importador de informação deveria ter condições mais favoráveis de acesso. Mas os países ocidentais são hipócritas, e os tratados internacionais foram escritos em seu favor. Felizmente, graças ao escândalo da SIDA, a atitude tem, pelo menos em parte mudado. Obviamente que os países pobre devem ter acesso em condições aceitáveis a medicamentos que salvam as vidas dos seus cidadãos. Portanto, ‘condições favoráveis’, nada que tenha a ver com cópias piratas para serem vendidas no mercado de Pequim.»


quarta-feira, 22 de julho de 2009

As Aventuras de Huckleberry Finn - nova tradução na Relógio D’Água

Tradução de Sara Serras Pereira. Mais informações no blogue da Editora.

Agosto atípico este, em que se anuncia Twain, Kawabata, García Marquez e Mendelsohn.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Tarefa dos próximos tempos (a anotar na agenda): ir à procura d'"Os Desaparecidos"

José Mário Silva diz que Daniel Mendelsohn é o próximo Litell.

«Já recebemos o novo M. Sousa Tavares. 15 euros por 115 páginas/30 mil palavras é um recorde pela negativa.»

Tweet da Livraria Orvil. É fazer as contas, mas isto deve dar qualquer coisa como um escudo por palavra (desculpem, mas o Senhor Palomar ainda só consegue pensar em escudos).

A ler também este tweet da mesma livraria: «Literatura a peso: O Rastro do Jaguar/562 pp e No Teu Deserto/128 pp - ambos a 15€, ambos da Leya. Porquê?»

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Como o Soldado Conserta o Gramofone, de Sasa Stanisic (Quetzal Editores)

ou
Como o Camarada-Chefe do Inacabado guarda histórias por contar
atrás do armário da avó e como para certas coisas não há explicação,
há somente o «pois é»


Numa tentativa de dar início a este texto, a senhora Palomar pensou em pincelá-lo com variadas formas estilísticas, dar um aspecto elaborado à coisa, decerto na vã tentativa de se apropriar sem qualquer pudor do estilo vanguardista de Sasa Stanisic. Mas o facto é que o tempo e a habilidade escasseiam em iguais doses. Permitam-me, então, que corte caminho e opte por levantar, assim, sem mais, um pouco o véu:

«Se tu tiveres o chapéu na cabeça e agitares a varinha, serás o feiticeiro de capacidades mais poderoso dos países não alinhados. Poderás revolucionar muita coisa, contanto que isso seja conforme com as ideias de Tito e esteja em concordância com os estatutos da Liga dos Comunistas da Jugoslávia […] O dom mais valioso é a invenção, a maior riqueza, a fantasia. Fica sabendo isso Aleksandar, disse o avô, a sério, quando me pôs o chapéu na cabeça, fica sabendo isso e imagina o mundo mais belo.»

Vamos ao que vamos. Falemos de magia. Falemos de Como o soldado Conserta o Gramofone, a obra inaugural deste autor bósnio:

Aleksandar dá a voz e nem sempre o corpo. Visegrad, a pacata cidade da Bósnia onde vive, serve o propósito de um cenário tão fora do comum como a infância do narrador. Consta que a sua idade ronda os oito e os catorze anos, conforme as conveniências. Filho de pai sérvio e de mãe bósnia muçulmana, Aleksandar é um meias, uma mistura. É um jugoslavo e, portanto, está a desagregar-se. O dom de contar histórias, herdou-o do avô, a promessa de continuar sempre a contar quebrá-la-á mais à frente, quando a realidade de uma pátria falecida lhe entrar pela janela com a fúria das chuvas torrenciais. Tudo a seu tempo. Para já, «se houver histórias em qualquer lado, eu estou em qualquer lado.»

Se é certo e sabido que não há novidade alguma na técnica narrativa de recorrer ao olhar de uma criança para expor os horrores e o absurdo de uma guerra, manter o equilíbrio entre uma ingenuidade descomedida e a tentação de pintar um quadro excessivamente mórbido é já pisar uma outra pátria, principalmente tratando-se de um romance autobiográfico, como é o caso. Mas que delícia descobrir que Sasa Stanisic se mantém no fio da navalha com a perícia dos grandes contadores de histórias. Em Como o Soldado Conserta o Gramofone, a Guerra dos Balcãs submete-se às tonalidades do arco-íris reflectido nas águas de um Drina atrevido, e o dia-a-dia toma a forma de uma manta de retalhos agridoce entretecida pelo engenho de Aleksandar, o camarada-chefe do inacabado, título glosado na obra e que serve de porta-estandarte ao personagem.

O relato é feito em vaivéns de pré e pós guerra, com inserções de episódios do próprio conflito, e está dividido por capítulos, cujos enunciados são um mimo literário, um preâmbulo que pressagia a gargalhada solta, o sorriso embevecido ou a lágrima compassiva que, nestas 382 páginas, estão sempre à espreita. Sasa Stanisic não faz juízos de valor explícitos, não se envolve em ensaios histórico-pollíticos, não tenta espetar -nos a sangue frio imagens de atrocidades e selvajaria. O que realmente nos impossibilita de ficar imunes a esta leitura é a suavidade com que Aleksander nos faz mergulhar na crua realidade da história de todas as guerras e de todos os refugiados. Atento ao pormenor, e detentor de uma imaginação prodigiosa e de um talento para a fantasia , com a dose certa de humor, ironia e um atrevimento enternecedor, descreve o quotidiano na forma de anedotas rocambolescas − a festa de inauguração de uma retrete interior que se cruza com recordes do mundo de dor de barriga, o peso da mágoa de uma traição amorosa ou a raiva se ser superado num jogo de Tetris, um avô triste que se casa com o Drina, as três mortes de Tito, a obstinação de um peixe-gato com óculos, um camarada professor que deixa de ser camarada e exige ao aluno o uso de aspas nos diálogos das redacções … Mas a perda, a nostalgia e a dor também marcam presença e podemos encontrá-las nas muitas dúvidas e desejos desta criança que sofre com destruição do seu mundo, que vê demasiados cadáveres a afundarem-se nas águas do seu amado Drina −«A que saberia, se tivesse um sabor? A que sabe um tal cadáver? Um rio também é capaz de odiar, tu que achas?»− e que é obrigada a refugiar-se na Alemanha.

Se Aleksandar fosse feiticeiro de capacidades as coisa poderiam opor-se, os corrimãos, os gramofones, as espingardas, as casas não se consumiriam em chamas, tocariam promessas com a mestria de Bach e teriam um reportório de músicas tão variado e imprevisível como os estados de espírito que moram dentro de cada um dos seus habitantes; as recordações teriam o mesmo sabor do seu gelado favorito; as nuvens seriam pegajosas como teias de aranha para que as granadas ficassem presas nela;

A tonalidade e a melodia de Como um Soldado Conserta o Gramofone faz-nos querer voltar a ser crianças; a aparente ingenuidade disfarçada de prosa é comovente e assustadora. Nota-se pinceladas de prémio Nobel na recorrência à ponte sobre o Drina, não sei se propositadas. Esta obra é pura magia.

Sinopse aqui. Biografia do autor aqui.

Como o Soldado Conserta o Gramofone, Sasa Stanisic, Quetzal Editores. Tradução de Paulo Osório de Castro e revisão de Pedro Ernesto Ferreira.

O Senhor Palomar espera mesmo que já não falte muito

Nas livrarias dia 20 (hoje) e não no dia 9, conforme avançado. Via LER.

Aravind Adiga - um perfil

Aqui. Relembre-se que Adiga venceu o prémio Booker 2008 pela obra "The White Tiger", publicada em Portugal pela Editorial Presença. O autor publicou recentemente "Between the Assassinations" (ler crítica no Times aqui).

sábado, 18 de julho de 2009

Moonfire, de Norman Mailer, em edição Taschen

O El País apresenta hoje a edição da Taschen, que reúne a reportagem de Mailer sobre a chegada do homem à Lua. Aqui.